Surgida da tecnologia da criptomoeda IOTA, ela pode ser alternativa à Blockchain, já que não trabalha com blocos em cadeia, mas com grafos distribuídos

Surgida como meio alternativo à Blockchain, a rede Tangle é uma tecnologia de registro distribuído com alto potencial de escalabilidade. Foi primeiramente apresentada no fórum de discussões do BitcoinTalk, o qual Satoshi Nakamoto, até 2010, falara e modificar a o protocolo original do Bitcoin.

Ainda no fórum, Serguei Popov, matemático russo e professor da Unicamp, em São Paulo, fez uma série de análises do projeto NxT (Next), fundado por BCNext junto a Serguey Ivanchelo. Desses estudos, culminou o artigo chamado “A probabilistic analysis of the Nxt Foring Algorithm”, sobre o problema da geração de blocos Nxt, com cálculos estocásticos e matemática discreta.

Meses depois, Popov foi convidado a fazer parte de um novo projeto, a IOTA, trabalhando como matemático no manifesto ou “white paper” da primeira moeda voltada à Internet das Coisas (IoT). O principal mote da Tangle foi sua arquitetura baseada em grafos acíclicos dirigidos (DAG, em inglês) que permitem maior escalabilidade, causando menos gargalos, em contrapartida ao fluxo de produção dos blocos sequenciais da blockchain.

Exemplo de um grafo acíclico dirigido composto de 6 vértices e 5 arestas. Cada vértice é uma transação na rede Tangle

 

 

 

Descrita muitas vezes como uma “blockchain sem blocos”, seus grafos possuem inúmeros vértices e arestas de maior escalabilidade, onde cada nó (node) é uma transação. A rede, portanto, prescinde de mineração, que é quando o minerador é recompensado por um esforço matemático-computacional. Na Tangle, ao contrário, há somente dupla validação anterior à realização da tarefa de transação.

O que ocorre na rede Tangle é que quando um usuário faz a transação, é necessário que ele valide duas outras transações preexistentes dentro da rede, resolvendo o problema matemático-computacional anterior. Assim são feitos os micropagamentos ao usuário “minerador” da IOTA na rede Tangle. Ademais, a escalabilidade da rede detém maior segurança e rapidez nas operações, em comparação à blockchain.

Escalabilidade de um sistema é a capacidade de melhorar este mediante a inserção de recursos adicionais. Esta é a maior vantagem da Tangle, já que a blockchain não é escalável, i.e., não permite aumento de blocos — já que causaria mais “engarrafamentos” na rede; logo está mais sujeita a ataques, como por exemplo o Ataque 51%, onde alguém pode controlar o poder de mineração na rede (hashrate), independente do tamanho da cadeia.

Por outro lado, a rede Tangle tem potência altamente escalável, porque para emitir transações é necessário validar duas transações anteriores. Logo, com o aumento do fluxo da rede, ela se transforma mais rapidamente e com mais segurança, a partir de transações instantâneas com taxa zero.

Para além do dinheiro

A aplicação do Tangle porém, na esteira do que ocorre com a blockchain, não se reduz ao campo das criptomoedas, mesmo que ela tenha sido pensada para a internet das coisas, ou seja, para a ação prática do facerein re, já que sua aplicabilidade dá-se a partir de cenários distintos como IoT machine2machine (M2M) e Business2business (B2B) ou business2consumer (B2C).

Isto porque sua abrangência vai desde o monitoramento de produção e movimentação de mercadorias à backup de negociações e contratos de pagamentos. A indústria de energia é um exemplo claro disso. Para se ter uma ideia, a empresa francesa de energia elétrica ENGIE focou na implementação e exploração da tecnologia Tangle para o setor energético.

A partir de sua plataforma de livro-razão distribuído, a tecnologia da IOTA oferece alicerce para uma “troca de valor neutro em termos de custo” na internet das coisas. Mais do que na blockchain, a Tangle tornará, na opinião de especialistas desta rede, cada recurso da tecnologia uma potência para o mercado aberto na internet e para o livre mercado, gerando liberdade e acessibilidade para bens e serviços e agregando valor a seu uso intrínseco.

Nas palavras do co-founder da IOTA, David Cohen a IOTA “é a única energia que pode suportar compartilhamento de energia industrial P2P” sem problemas de escalabilidade, já que a rede tem potencial de escalabilidade. Na Tangle, as transações só são limitadas pela latência de comunicação entre usuários da rede, nunca pelos vértices e aresta dos grafos.

Ademais, na teoria a rede Tangle utiliza o sistema MCMC — o método Monte Carlo de medida estatística, que faz várias simulações por diversas vezes, semelhante a um jogo de cassino (daí o nome), a fim de calcular a probabilidade de forma heurística. Este método estatístico, que surgiu no projeto Manhattan, durante a Segunda Guerra Mundial, e que permite por exemplo, calcular o valor de , verifica os nós (nodes) da rede Tangle.

A partir de complexas equações, chega-se assim, nas palavras de Cohen, “[que a rede Tangle] permitirá um sistema peer-to-peer de qualquer projeto de infraestrutura crítica em termos de capacidade, a fim de integrar com segurança a automação tradicional de distribuição de instalações industriais e de SCADA [controle de aquisição de dados]”, em redes emergente de IoT.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here